Burnout: sinais de alerta, fatores de risco e como prevenir

Atingiu o seu limite? Não aguenta mais? Não descure o que sente e procure ajuda. Se suspeita estar a sofrer de burnout, este artigo disponibiliza-lhe a informação necessária para atuar.
Artigo atualizado a 22-02-2022

O burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional, resulta de uma sobrecarga laboral excessiva, seja pelo ritmo de trabalho, pela pressão de um contrato que não lhe oferece segurança, horários irregulares, maior exigência emocional, ou outros motivos. É um esgotamento profundo que se caracteriza por exaustão física, mental e emocional.

O que é o burnout?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o burnout como uma doença que se enquadra na tipologia de stress ocupacional. É uma resposta física, mental e emocional a situações de stress crónico desencadeadas no contexto laboral.

Burnout é um termo de 1974, cunhado por Herbert Freudenberger. O psicanalista definiu-o como um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de um estado de esgotamento físico e mental, que resulta de um envolvimento de longo-prazo em situações de trabalho emocionalmente exigentes.

O burnout é comum a qualquer atividade profissional. No entanto, a predisposição é maior para quem ajuda ou mantém contacto diário com outras pessoas. É o caso dos profissionais de saúde, professores, trabalhadores dos serviços sociais, entre outros. Esta fragilidade deve-se a um elevado envolvimento emocional, associado a responsabilidade e exigência profissionais.

Como se desenvolve este síndrome?

Em doses contidas, o stress é positivo e necessário. Promove o desenvolvimento de estímulos com efeitos positivos. Contudo, o stress continuado associado a um desalinhamento permanente de expectativas gera insatisfação e incapacidade.

O burnout pode desencadear quadros graves de depressão. É um processo que acontece a três dimensões, de forma mais ou menos sequencial.

1. Sente-se menos realizado
Está desmotivado, desiludido e esgotado (física e emocionalmente). Sente que não consegue concretizar o trabalho ou que o faz com menor qualidade. Está infeliz e insatisfeito.

2. Fica alheio aos outros
A sua relação com os outros torna-se distante e impessoal, desenvolvendo insensibilidade emocional. Erguem-se barreiras cognitivas e emocionais em relação às funções laborais, aos colegas e à instituição.

3. Sente-se emocionalmente exausto
A exaustão emocional traz-lhe uma sensação de falta de energia e de entusiasmo e o trabalho passa a ser encarado como um conjunto de tarefas penosas.

Quais as causas do burnout?

Existem diversas causas para o burnout, mas as principais são:

  • Excesso de trabalho

A sensação de sobrecarga de trabalho ocorre quando entende não ser capaz de concretizar, de forma adequada, de acordo com as suas expectativas e nos prazos definidos, a quantidade de tarefas que tem em mãos.

  • Ausência de controlo

Não tem autonomia e não se sente envolvido nas decisões associadas ao seu trabalho.

  • Ausência de reconhecimento

Não é devidamente recompensado (em termos financeiros) e falta-lhe reconhecimento (em termos sociais). Em suma, sente-se desvalorizado.

  • Ausência de comunidade

Sente falta de ligação positiva com os colegas. Estabelece o mínimo de relações, mesmo para resolver problemas. Em caso de conflitos, quando persistentes, sente maior frustração e hostilidade.

  • Ausência de justiça

Sente falta de respeito entre colegas. Perceciona o ambiente de trabalho como negativo e desenvolve um sentimento de não pertença e atitudes de alienamento e cinismo em relação ao local de trabalho.

  • Conflito de valores

Sente que as exigências da profissão não vão ao encontro dos seus princípios e valores.

A que sinais deve estar atento?

O burnout não é um estado imediato, mas antes um conjunto de acontecimentos que desenvolvem ansiedade e insegurança. Por este motivo, é possível estar atento aos sinais e assegurar uma atitude preventiva.

Sinais físicos

  • Cansaço permanente;
  • Sistema imunitário fragilizado;
  • Dores frequentes (cabeça, lombar, músculos);
  • Alterações no apetite e no sono.

Sinais emocionais

  • Sensação de fracasso, derrota e solidão;
  • Ausência de motivação;
  • Negativismo;
  • Insatisfação pessoal e profissional.
  • Sinais comportamentais e sociais
  • Isolamento;
  • Dificuldade em assumir responsabilidades;
  • Excessos (alimentação, álcool ou drogas);
  • Absentismo, atrasos ou saídas antecipadas;
  • Padrões de comportamento alterados;
  • Sarcasmo ou cinismo nas relações interpessoais;
  • Relações familiares e profissionais pouco saudáveis.

Sinais psicopatológicos

  • Insónias;
  • Irritabilidade;
  • Inquietação;
  • Tremores;
  • Sintomas depressivos.

Sinais cognitivos

  • Redução da atenção e concentração;
  • Queixas mnésicas;
  • Redução da criatividade;
  • Pensamentos persistentes sobre o trabalho;
  • Hipervigilância e necessidade de controlo

Sinais existenciais

  • Conflitos entre valores e crenças;
  • Raiva e revolta;
  • Alteração das perspetivas de vida.

11 sugestões para prevenir o burnout

Ninguém está imune ao burnout. Ainda assim, há quadros mais vulneráveis, ligados a pessoas com baixa autoestima ou que sofrem de ansiedade. A prevenção é o melhor remédio, mas existem estratégias que ajudam a prevenir este estado.

1. Melhore a comunicação no trabalho
Peça ajuda na concretização das tarefas que antevê impossíveis de cumprir. E resista ao impulso de se isolar: partilhe o que o preocupa com pessoas em quem confia.

2. Estabeleça e organize prioridades
Planeie e defina limites em relação às tarefas e funções que acumula. Consulte o seu plano antes de assumir novos compromissos. Se surgirem várias atividades, categorize-as conforme a urgência e o nível de importância. Resolva primeiro as tarefas rápidas e prioritárias e planeie a concretização das restantes a médio-longo prazo, procurando não acumular trabalho.

3. Compreenda o que lhe provoca stress
Pode estar mais sensível por vivenciar um ambiente profissional competitivo ou porque tem poucas pausas durante o seu horário laboral. Procure apoio dentro da instituição para contornar situações de maior sensibilidade emocional. E mantenha hobbies que lhe permitam compensar momentos de maior stress.

4. Desenvolva uma rede de apoio
Esta rede é essencial para lhe dar suporte nos momentos mais difíceis. Podem ser familiares, amigos ou colegas de trabalho, desde que representem elos de confiança com quem pode desabafar e procurar soluções.

5. Limite o seu tempo de trabalho
As rotinas são como metas diárias que, quando concretizadas, aumentam os nossos níveis de satisfação e sensação de dever cumprido. Podem funcionar como verdadeiros limites entre nós e os outros, protegendo o tempo de cada um.

6. Aprenda a dizer “não”
Estar sempre disponível pode acabar por deixá-lo com sobrecarga de trabalho. É importante gerir as expectativas e estabelecer limites razoáveis.

7. Tire férias e faça pausas
Ao parar, consegue analisar a sua vida profissional e perceber o que pode mudar.

8. Pratique atividades relaxantes
Aprenda a valorizar o momento presente, em vez de despender energias com o passado ou o futuro, nos quais não pode atuar.

9. Respeite o seu sono
Pratique exercício físico, mantendo uma alimentação equilibrada e variada.

10. Desligue o telemóvel e o computador
Estabeleça intervalos para estar offline e cumpra-os.

11. Recorra a um profissional de saúde
Procure ajuda, converse e atue antes de atingir o seu limite.

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