Praticar desporto faz bem ao coração? Conheça a resposta em 7 questões

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal e uma das principais no mundo. Saiba de que modo a prática de desporto pode manter o seu coração saudável.
Artigo atualizado a 21-03-2022

Existem várias medidas que se podem adotar para prevenir o aparecimento de doenças cardiovasculares ou retardar o seu desenvolvimento. Uma das mais eficazes é a prática de desporto, de modo regular. No entanto, nem todas as modalidades, desportos ou mesmo exercícios físicos são ideais para a nossa idade ou histórico de saúde, de acordo com o cirurgião cardiotorácico Luís Baquero, coordenador do Heart Center do Hospital da Cruz Vermelha, instituição parceira da Associação Montepio.

Se tem dúvidas acerca da relação entre a prática de desporto e a saúde do seu coração, estas sete questões ajudam a esclarecê-las.

Desporto e coração: 7 questões para tomar uma decisão informada

1. Fazer desporto faz bem ao coração?

A atividade física é importante para mantermos um coração saudável. “Se juntarmos a atividade física regular à dieta mediterrânea, associada a um controlo do peso, e evitarmos o hábito tabágico, conseguimos o melhor cenário para viver muitos anos com um coração saudável”, explica o cirurgião cardiotorácico Luís Baquero.

2. Qual o efeito da prática de desporto no coração?

Praticar desporto regularmente tem um efeito muito positivo no nosso coração. Por exemplo:

  • Ajuda a controlar a tensão arterial;
  • Aumenta a força muscular;
  • Reduz o esforço do coração para manter uma oxigenação adequada do nosso organismo;
  • Ajuda a reduzir o excesso de peso;
  • Reduz a ansiedade, por aumento da secreção de endorfinas (sendo, por isso, um aliado de quem fuma);
  • Diminui a possibilidade de adquirir diabetes, uma vez que controlamos melhor o nível de glicose no sangue e a resistência à insulina.

“O hábito do exercício regular não só baixa o colesterol como ajuda a promover o aumento do nível do colesterol de alta densidade, que é protetor do sistema cardiovascular”, refere Luís Baquero.

Por outro lado, doenças como os acidentes vasculares cerebrais (AVC), os enfartes de miocárdio e a arteriosclerose têm menos probabilidade de aparecer se praticarmos exercício regular. O mesmo acontece com arritmias como a fibrilhação auricular cuja incidência é francamente inferior em quem tem uma atividade física regular.

3. Qual o desporto mais adequado para o coração?

Depende de vários fatores. No entanto, o cirurgião cardiotorácico defende que o desporto de alta competição não é saudável para o coração. Qual a solução? Praticar desporto de forma moderada, respeitando as limitações de idade e a condição física.

“Atualmente, considera-se que a modalidade de desporto mais saudável, não só para o coração mas para o organismo em geral, é aquela que mistura uma carga cardiovascular moderada: corrida, bicicleta, natação ou caminhada. Esta carga deve estar associada ao exercício de reforço muscular, como levantamento de pesos e preservação da elasticidade”, reforça Luís Baquero.

4. Correr uma maratona é prejudicial ao coração?

Todo o exercício praticado de forma intensa e exagerada tem uma parte prejudicial, mesmo que esta só apareça no médio ou longo prazo. Esta fatura está relacionada não só com o stress ao qual é submetido um atleta que corra, por exemplo, os 42 quilómetros da maratona, e pode afetar a saúde cardiovascular e articular do atleta.

“Só atletas muito treinados e com condições físicas e genéticas específicas podem, de facto, dar-se ao luxo de manter semelhante esforço sem ter consequências prejudiciais para a saúde”, explica Luís Baquero. Para quem gosta de correr, o cirurgião cardiotorácico recomenda a distância de 10 quilómetros como sendo “a ideal”. “Quer pelo esforço quer pelo tempo dedicado a decorrer esta distância.”

5. O desporto deve ter em conta a idade do atleta?

Sim, sendo este um dos principais cuidados que os praticantes de exercício físico devem ter em conta antes de começarem a sua modalidade.

A idade tem desafios para os quais deveremos estar atentos. Na idade adulta, por exemplo, o que proporciona maior qualidade de vida é a força muscular e a nossa elasticidade. Isto significa, por exemplo, que correr 20 quilómetros com 60 anos é desproporcionado. Mas manter uma massa muscular e elasticidade adequadas, por exemplo com visitas regulares ao ginásio, ajuda a dar-nos qualidade de vida suficiente para levar os sacos das compras dois lanços de escadas, fazer uma caminhada na montanha ou manter a nossa agilidade funcional. “E isso faz, de facto, a diferença”, alerta Luís Baquero.

“Nos homens em particular, este tipo de treino muscular associado com a elasticidade – pilates ou ioga – tem impacto no aumento e manutenção dos níveis de testosterona, o que tem um impacto muito positivo nas relações sexuais. O mesmo acontece nas mulheres, devido ao aumento da secreção de endorfinas e aumento da autoestima”, destaca o médico.

6. Por que razão há pessoas que têm enfartes ao praticar desporto?

“Toda a atividade física deve ser monitorizada previamente”, afirma Luís Baquero. “Há enfartes em qualquer tipo de desporto, em indivíduos pouco treinados.” O médico sugere que, antes de iniciar uma atividade física, qualquer que seja a idade do praticante, deve ser feita uma avaliação cardiovascular pormenorizada para evitar desgostos e guiar o treino.

7. Quem tem ou teve um problema de coração pode fazer exercício?

“Deve fazer exercício, sim, sem dúvida”, adianta Luís Baquero. Mesmo quem tenha tido um problema de coração deve manter uma atividade física regular, moderada, monitorizada por uma equipa de reabilitação cardiovascular para obter os benefícios do desporto num coração que precisa de ser fortalecido.

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