Quer fazer dieta? 6 perguntas que vão influenciar a sua decisão

Quando deixamos de nos sentir bem com o nosso corpo, um dos primeiros impulsos é fazer uma dieta. Mas o que implica esta decisão? Leia as respostas a seis questões que vão ajudá-lo a escolher o melhor para si.
Artigo atualizado a 09-05-2022

Certamente, já ouviu falar em conceitos como a dieta do paleolítico ou o jejum intermitente. “As modas são frequentes, mas são modas. Não duram para sempre”, afirma o médico Fernando Póvoas, proprietário da Clínica Dr. Fernando Póvoas e da Clínica de Estética homónima, ambas parceiras da Associação Montepio (ver caixa). O médico alerta para a forte possibilidade de insucesso de uma dieta não acompanhada por um profissional. “Não será perigoso, mas pode ser tempo ou dinheiro mal gasto.”

Para que a alteração do regime alimentar produza os resultados desejados, que, por norma, são a redução do peso, a melhoria do estado de saúde e ganhos ao nível do bem-estar, é necessário assumir um compromisso de médio a longo prazo e não retirar do prato (e do copo) elementos essenciais a uma boa nutrição. A dieta deve, assim, ser um processo de adaptação que se integra de forma contínua na vida da pessoa. “Não é parar a dieta de um dia para o outro e depois voltar tudo ao mesmo”, diz o médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Saiba que tipo de compromisso está a assumir quando decide começar uma dieta.

1. Que razões podem motivar uma dieta?

“O ponto número um é a pessoa sentir-se mal com o seu peso e estar em conflito consigo própria”, refere Fernando Póvoas. Por outro lado, doenças como a hipertensão, depressão ou a diabetes, ou a medicação que lhes está associada, podem conduzir à necessidade de uma dieta.

2. Pode fazer-se uma dieta sozinho?

“Passar a comer menos, de forma mais saudável e equilibrada, é uma coisa que as pessoas podem fazer, não há problema nenhum”, começa por afirmar Fernando Póvoas. No entanto, o profissional aconselha uma avaliação e acompanhamento médicos antes de planificar um novo regime alimentar. “Uma dieta nunca é igual para duas pessoas”, diz o especialista.

Começar uma dieta sozinho, sem avaliar parâmetros estruturais (como a estrutura óssea ou a massa muscular) e de saúde (como o metabolismo basal ou a existência de doenças), pode ser contraproducente. Além disso, às mudanças do plano alimentar estão quase sempre associadas alterações no padrão de atividade física. “Mudar a alimentação não é suficiente. O exercício físico é extremamente necessário.”

3. A dieta é para a vida toda?

A duração de uma dieta depende das causas que a motivam. Pode tratar-se de uma dieta de recuperação (num período pós-operatório, por exemplo) ou estar associada a uma disfunção ou doença crónica e, nesse caso, não pode ser interrompida. “Uma alimentação equilibrada é para manter a vida toda”, frisa o médico, elevando a saúde a prioridade máxima.

Ainda assim, é importante existirem momentos de quebra ou de festa, para que a dieta não se assemelhe a uma penitência. “A vida é curta e um dos nossos maiores prazeres envolve estar com os pés debaixo da mesa”, lembra o especialista. Assim, ter um momento por semana para comer um doce ou realizar outra extravagância pode, perfeitamente, fazer parte do plano alimentar. “Proibido é a pior palavra numa dieta.”

4. É possível emagrecer de forma saudável apenas com uma dieta?

“Não chega intervir no plano alimentar. O exercício físico é fundamental, até porque, psicologicamente, ajuda muito”, nota o médico. Em algumas situações, poderá, ainda, ser necessária a administração de medicamentos. Fernando Póvoas chama a atenção para os casos de obesidade relacionados com problemas de saúde mental. “Há muitas pessoas com ansiedade, angústia, solidão para quem a comida é um escape, e é preciso ouvi-las muito bem.” Por outro lado, “há pessoas que já comem muito pouco e mesmo assim engordam”.

5. Quão difícil é manter uma dieta?

“Querer desistir é muito comum nos casos em que se tentam fazer dietas muito rigorosas, mas emagrece-se pouco. O mesmo acontece a pessoas que acham que é mais importante comer do que cuidar da sua saúde, e só depois de terem um enfarte ou um AVC é que percebem que não”, relata o médico. O segredo, ainda assim, está em “aguentar os primeiros 15 dias”, defende.

6. Que atitude é aconselhável para alcançar os objetivos?

A componente psicológica e o acompanhamento profissional regular são fatores fundamentais para uma dieta bem sucedida. Mas existem outros fatores determinantes que deve respeitar:

  • Mantenha o foco no objetivo;
  • Seja disciplinado;
  • Aprimore a sua “capacidade de sofrimento”/resistência nos primeiros 15 dias do novo regime. São os dias em que as saudades do seu passado alimentar tentarão atraiçoá-lo;
  • Tenha presente que “não há alimentos maus ou bons”, mas apenas alguns cujo consumo deve ser regrado. Para Fernando Póvoas, uma dieta deve ser sempre variada;
  • Saiba que “fazer uma dieta tem de ser fácil”. Se o nível de restrições for demasiado elevado, pode ser sinal de que o plano alimentar não é o mais adequado;
  • Confie no profissional que o acompanha.
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